15h30

Hora de ir ao banheiro. Você já trabalhou pra cacete, nem viu o tempo passar, todo mundo já voltou do almoço e tá começando aquela movimentação de novo na sua sala. É hora de ir ao banheiro. Refletir o que já fez até agora, inventar o resto do dia e pensar no que vai escrever no blog.

Prothelárius assíduos

Todos protelamos. O carro sujo, o sapato sem graxa, os compromissos familiares, as dietas, as tarefas impossíveis, as chuvas improváveis, os sóis escaldantes. Vivemos disso.

Só não podemos protelar o amor. O amor é instantâneo, imediato, deve ser dito na hora, em face - imposto a tudo e exposto a todos, sem medo de soar estranho. Amar nunca foi um erro.

Grandma, I love you!

Uma das grandes possibilidades de hoje era eu escrever um longo texto sobre o beijo. Maneiras mil, minúcias marcantes, melhores momentos. Escrever tanto que daria água na boca, enxeria os olhos de lágrimas, mas certamente estaria forçando as palavras. Ou um poeminha - também era uma saída. Uma foto sem legenda - tinha chance até de ser poético. Isso tudo só me desanimou pois não encontrei limites para o beijo. Aquela própria bochechada que damos fazendo barulho de "smack" em parentes insistimos em chamar de beijo!

Por essa razão, para comemorar o Dia do Beijo, e também determinado a preservar meu romantismo para quando puder olhar diretamente em olhos da mais insana profundidade, sugiro: vá beijar a tua vó!

Coincidencia ou não, ouvindo Kiss and Say Goodbay, Manhattans

Feliz Feriado

E eu como sempre atrasado. Cueca, meia, chinelo, saquinho para roupa suja (acho que isso tem lá). A estrada está boa e meu humor melhor ainda.

Pequenos ajustes

Mexer em alguns detalhes da vida faz com que uma mudança drástica nela pareça desnecessária. Achei que teria grande dificuldade em listar as coisas boas que me aconteceram só no dia de hoje. Natural, mas me espantei - estou sem o que falar das ruins.

Por exemplo, o primeiro contratempo que tive pela manhã foi descobrir que a única camisa passada no meu armário era aquela muito larga. Aquela que sobra atrás. Aquela que te deixa meio pálido. Aquela que a manga fica caindo no braço e você cansa de arregassá-la. Pois bem. Tinha motivo para ficar irritado o dia inteiro. Ora, no espelho dos outros carros, me via parecendo uma beterraba de ponta-cabeça: as calças justas nas pernas compridas e finas e aquela camisa folgada em cima, à moda balão. O Faustão que gosta disso, não eu.

Lembro também que me irritou a maneira que guiava o carro minha carona. Queria tirar vantagem em tudo, brincava de trocar de faixas a todo momento, xingava quem atrapalhava suas tentativas e veio ouvindo a rádio que comenta o trânsito. Foram mais de cinco as vezes que, com a mão na trava do cinto, pensei em dizer: Colega, chega! Posso ir à pé?

Já não bastava a camisa grande?

Há algum tempo atrás fiz um estudo das coisas que me faziam bem e estavam ao meu alcance. Cortar a unha. Cortar a unha era uma coisa que me fazia bem no dia seguinte. Não sei porque, mas eu parecia estar mais seguro comigo mesmo. Não tinha medo de mostrá-la ao escrever um e-mail, ao falar no celular, ao apontar um dado na tela do pc, essas coisas. E cortar a unha é um lance muito legal pois, como deve ser uma prática periódica, você acaba renovando essa autoestima sem perceber.

Trocar o toque do seu celular; receber um obrigado por segurar a porta para alguém; dar tempo de responder de nada; fazer amizades sinceras na fila onde os dois se entendam, não só desabafem; não precisar repitir uma piada; alguém te ligar no celular e você ouvir o seu toque novo; ouvir Little Joy enquanto escreve, são coisas que me deixam tão feliz que, no fim, até o camisão ficou de qualquer jeito no meu corpo.

Nela

Serei eu nela que me faz pensar tanto no amor? Se é ele quem me faz feliz, que me faz respeitar, se ele tem outro nome. E se é ele quem tenta acomodar aquela bolsa vazia de saudade perto do meu pulmão, mas meu coração está tão espaçoso lá dentro que chega a doer quando a bolsa e ele se estranham. Tem horas que esse tal amor, vendo que não consegue substituir meu coração pela bolsa de saudade, a instala na minha mente: fico horas, horas e horas assim.. desse jeito... meio estranho... meio... Sim, mas o pior é quando o amor se irrita e resolve arremessar essa bolsa vazia, mas cheia de saudade, direto no meu estômago me obrigando a perder a fome. Serei eu nela que me faz gostar tanto do amar?

"Cabeçário"

Hoje eu ainda não sou o que eu quero ser amanhã. O hoje foi feito pra pensar no que quero ser. Mas amanhã não existe. Ele é ontem daqui alguns dias. Amanhã foi ontem. Quero dizer, ontem foi amanhã - me atrapalhei com os risos. Há tanta pressa hoje que já é amanhã. Tanta pressa, que hoje já é Abril e amanhã já abriu. Eu tenho três calendários na minha mesa, mas quem dita essas regras é a minha cabeça.